Orquestra Jazz de Matosinhos & João Paulo Esteves da Silva
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São canções sem palavras, as composições do pianista João Paulo Esteves da Silva. Mas são canções que se valem da musicalidade da língua portuguesa, de uma enorme criatividade melódica e, mais tarde ou mais cedo, retomam os caminhos imprevistos da improvisação. João Paulo é um improvisador nato, e nesse papel pudemos ouvi-lo ao longo dos anos em concertos a solo intensos e emotivos. Tem também integrado inúmeras formações com as grandes figuras do jazz nacional e trabalha com igual à-vontade no âmbito da música de raiz popular.


O projeto que junta o pianista de Lisboa à formação de Matosinhos nasceu de uma encomenda da Casa da Música, que deu origem aos novos arranjos e a um concerto em 2011. No ano seguinte, o projeto marcou presença no Festival Guimarães Jazz, que se associou à editora Tone Of A Pitch para possibilitar a gravação do álbum “Bela Senão Sem”. Arranjos originais de Carlos Azevedo, Pedro Guedes e do próprio João Paulo sobre temas como “Certeza”, “Bela Senão Sem”, “Tristo" ou “Canção Açoriana”. No piano, João Paulo Esteves da Silva divide os momentos de criação instantânea com os talentosos solistas da OJM.



Entrevista, Julho 2021


Nesta reedição de Bela Senão Sem surgem três novos temas a solo essencialmente improvisados. São músicas mais próximas do registo intimista a que já nos habituaste. De que forma Acampamento, O motor da ternura e Duas Fogueiras vêm completar este álbum?

A ligação entre estas peças e o Bela Senão Sem será, para começar, a da partilha do espaço. São três improvisações realizadas na sala e no piano da OJM, pouco tempo após a instalação da orquestra na Real Vinícola. Improvisei algumas horas de música e, de entre a muita música gravada, aquelas três peças apareceram como uma continuação possível ao repertório da orquestra; para além de ter gostado do efeito de simetria assim criado com a introdução de piano solo ao tema Certeza que abre o disco. Os títulos surgiram a posteriori, por razões poéticas.


Como se cria o espaço para a improvisação num ambiente de orquestra, por norma mais “controlado”?

É só uma questão de querer criar esse espaço. A escrita de Bela Senão Sem é bastante tradicional  no que toca à alternância de momentos totalmente escritos com momentos improvisados, sob a forma de solos instrumentais acompanhados ou não pelos tradicionais “fundos” escritos. Nos concertos com a orquestra, temos, além disso, reservado sempre um momento de improvisação colectiva “total”; na versão anterior do disco aparecia um exemplo destes momentos em forma de “brinde surpresa”; na presente versão essa longa faixa foi substituída pelas três peças de piano solo.

Um pouco por todo o teu trabalho conseguimos identificar a fusão entre o jazz e a música tradicional Portuguesa. Este álbum não é excepção. Podes falar-nos um pouco sobre a relação entre os dois estilos? De que forma os consegues juntar no mesmo universo?

Tenho que confessar que não há qualquer intenção da minha parte em juntar estilos de música, sejam eles quais forem. Acontece que serei fruto dos meus amores musicais e muita da música de que gosto e que me estimula pode ser enquadrada ora no jazz ora na música tradicional (entre muitas outras categorias possíveis). Também reparo na presença desses elementos na música que faço, mas é “malgré moi” que eles lá estão, como será o caso de expressões idiomáticas herdadas da família ou apanhadas no liceu e que aparecem na minha maneira de falar.


“A escrita quer ser música”, diz-nos Mia Couto, mas a tua música também é palavra, conseguimos sentir a sua presença nas melodias que escreves. De que maneira o João Paulo músico é influenciado pelo João Paulo escritor (e vice-versa) no processo de composição?

Há uma relação, uma ponte, entre a língua e a música, entre a escrita da língua e a escrita da música. Consigo afirmar isto porque o sinto como verdade, mas não saberei explicar como a coisa se passa nem por que processos. Daquilo que posso observar, música e linguagem estão sempre presentes e imbricadas uma na outra, mesmo quando uma delas parece ausente. Uma frase da língua precisará sempre duma certa música, uma entoação qualquer que seja, para fazer sentido e uma frase musical por mais pura que seja nunca deixa de ter marcas daquela linguagem que se escondeu no processo de purificação; são às vezes pequenos pormenores, certas acentuações, certos fraseados, respirações que traem a língua materna (ou não) do músico. No meu caso, não me custa admitir as melodias que invento como, quase sempre, canções sem palavras.


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