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Orquestra Jazz de Matosinhos & Peter Evans

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Se imaginarmos os músicos da Orquestra Jazz de Matosinhos sem instrumentos nas mãos, vê­‑los­‑íamos provavelmente a estender os braços em múltiplos sentidos, agarrando tudo o que valesse a pena integrar na sua expressão artística. Tem sido assim, cada vez mais, o percurso deste ensemble ambicioso, que ouvimos desde há muito a tocar a música original dos seus directores e de outros compositores portugueses, como das figuras mais emblemáticas da música moderna para big band, como também dos clássicos desde os tempos do swing. Seja ao lado de grandes solistas de dimensão internacional, seja apoiando os novos talentos do jazz nacional, seja mesmo repartindo o palco com agrupamentos de música clássica, a OJM afirma­‑se sucessivamente como uma orquestra de jazz realmente completa.

Vem esta introdução ao caso porque, na verdade, nem todos os terrenos são já familiares à OJM. O campo da improvisação mais livre tal como ela se apresenta nos dias de hoje, fundindo a sua associação às texturas e estruturas da música erudita contemporânea com as heranças bop e pós-bop, é motivo para chamar uma figura fundamental do jazz actual: Peter Evans, trompetista norte­‑americano de 37 anos. O projecto foi originalmente concebido pela OJM, o que é por si só um desafio acrescido: não há um plano já delineado para o concerto, como quando os grandes solistas se fazem acompanhar das partituras já pré­‑concebidas para serem acompanhados por múltiplas orquestras pelo mundo fora. Não é essa a natureza da OJM. Aqui, o desafio é lançado pela big band, que assume as suas consequências – neste caso, o contradesafio de criar arranjos para um conjunto de composições nascidas em contextos bem diversos e se preparar para a sua desconstrução em pleno palco.

Com pouco mais de uma mão cheia de composições saídas da manga de Peter Evans, além da visita a um standard de Billy Eckstein (“I Want To Talk About You”, uma vénia talvez à espirituosa versão de Coltrane), o trabalho de arranjar esta música e de a levar ao palco tem um traço distintivo a que a OJM nos tem habituado – tudo é feito com profundo respeito pela linguagem do músico convidado, levando a big band até ele sem nenhuma intenção de o fazer sair da sua casa sonora.

A linguagem de Peter Evans, em si mesma, é um desafio para quem julgava conhecer o trompete que por ele é levado a novos patamares expressivos. Com um domínio superior de todos os registos e de técnicas como a respiração circular e os multifónicos, intercala o som tradicional do instrumento com timbres inauditos – não é por acaso que as grandes referências de Evans em certos contextos, como o trio, são precisamente saxofonistas (e menos trompetistas) que levaram longe o universo de possibilidades do instrumento. Sonny Rollings é um deles, e outro é Evan Parker, figura tutelar do mundo em que Evans se move. O próprio Evan Parker fala de Peter Evans com especial apreço: “combinou um controlo instrumental absolutamente notável com uma consciência total de todo o espectro das novas músicas, e as portas abriram­‑se…”

Residente em Nova Iorque desde 2003, Peter Evans está integrado não apenas na cena da música experimental, como também no mundo da chamada música erudita contemporânea, enquanto membro do Internacional Contemporary Ensemble e do ensemble Wet Ink. A sua ligação à música improvisada manifesta­‑se enquanto veículo, simultaneamente, para a autodeterminação artística e para a improvisação colaborativa enquanto ferramenta de composição. Tem­‑se apresentado como líder do Peter Evans Ensemble e do quarteto Being & Becoming – com Joel Ross, Nick Jozwiak e Savannah Harris. É membro dos grupos colaborativos Pulverize the Sound (com Mike Pride e Tim Dahl), Mostly Other People Do The Killing (com Jon Irabagon, Matthew “Moppa” Elliott e Kevin Shea) e Rocket Science (com Evan Parker, Craig Taborn e Sam Pluta), e procura constantemente os contextos mais favoráveis para a experimentação. Como compositor, escreveu música encomendada por entidades como International Contemporary Ensemble, Yarn/Wire, festival Donaueschingen Musiktage, Emerging Artist Program da Jerome Foundation e Doris Duke Foundation. Apresenta­‑se nos grandes festivais mundiais e tem trabalhado com figuras centrais da nova música como John Zorn, Ingrid Laubrock, Jim Black, Weasel Walter, Ambrose Akinmusere, Matana Roberts, Tyshawn Sorey, Levy Lorenzo, Nate Wooley, Steve Schick, Mary Halvorson e Joe McPhee.

Um mergulho nas múltiplas dimensões da música fascinante de Peter Evans, com lugar para os domínios mais experimentais, as estruturas de camadas sobrepostas e o primado da improvisação suportado por arranjos que se revelarão, inevitavelmente, como novos caminhos para a expressão desta orquestra. Cumprindo uma das citações preferidas de Peter Evans, por Cecil Taylor: “Improvisação é pensamento, alimentado pela paixão e condicionado pelo pensamento.”

Eventos

2020


fevereiro


8

|

Teatro Municipal Rivoli, Porto


Peter Evans & Orquestra Jazz de Matosinhos
10º Festival Porta-Jazz

Até se podia chamar-lhe destino, mas a verdade é que Peter Evans e a Orquestra Jazz de Matosinhos voltam a encontrar-se. O Festival Porta-Jazz é testemunha deste reatar de conversa, tendo como fio condutor uma mão cheia de composições do trompetista norte-americano e portador de um som único. Figura maior do jazz mundial, volta a estar rodeado de uma big band de renome, com 22 anos de carreira e colaborações com grandes nomes, desde Chris Cheek a Carla Bley, que marca presença no festival onde já esteve nas primeiras edições, apoiando assim o movimento da Porta-Jazz porque faz parte dele. Esta actuação tem como título “Perception Beyond Knowing”, nome de um tema do mais recente disco de Peter Evans, e dela constam novos arranjos para alguns dos seus registos, criados em várias épocas, a que se soma “I Want to Talk To You”, um standard de Billy Eckstein assombrado pela magnífica versão de John Coltrane. Uma ponte entre o jazz clássico e o contemporâneo, sem esquecer a música erudita.

Direção musical: Pedro Guedes

Composição e Trompete: Peter Evans (convidado)
Madeiras: João Guimarães, João Pedro Brandão, Mário Santos, José Pedro Coelho, Rui Teixeira
Trompetes: Luís Macedo, Ricardo Formoso, Rogério Ribeiro, Javier Pereiro
Trombones: Daniel Dias, Paulo Perfeito, Álvaro Pinto, Gonçalo Dias
Secção Rítmica: Hugo Raro (piano), Miguel Moreira (guitarra), Demian Cabaud (contrabaixo), Marcos Cavaleiro (bateria)
2019


dezembro


1

|

CARA, Matosinhos

Peter Evans
Apresentação do Workshop: Sintonia e Ressonância

Entrada Livre

01 Dezembro
21h30 - Concerto de Apresentação

Nos dias 30 de novembro e 1 de Dezembro, o CARA transforma-se num palco de experimentação para estudantes ou ex-estudantes de música da clássica ao jazz. Num workshop com duas sessões de trabalho sobre estruturas de composição (sejam em partitura ou aprendidas de ouvido) e sobretudo sobre improvisação no seu sentido mais lato, pretende-se explorar a subjectividade e referências particulares de cada um dos participantes e como se articulam entre si. O processo de criação em conjunto resultará numa apresentação no final do segundo dia, única e específica deste encontro. O objectivo será promover a importância da sintonia entre os músicos, ouvindo, desconstruindo e experimentando, para que, através dos seus instrumentos, veículos para transmissão de ideias e emoções, se crie um objecto musical.

Peter Evans estudou trompete clássico no conservatório de Oberlin mas em 2003 muda-se para Nova Iorque onde se destaca tanto na cena jazz como na música erudita contemporânea e em geral na música experimental. Além do Peter Evans Ensemble e Being & Becoming Ensemble que lidera, colaborou com o International Contemporary Ensemble e tocou com uma extensa lista de grandes nomes da música nova como John Zorn, Ambrose Akinmusere, Jim Black, Weasel Walter, Ingrid Laubrock entre muitos outros.

Local: CARA - Centro de Alto Rendimento Artístico - Real Vinícola, Matosinhos

FB EVENTO

www.peterevanstrumpet.com

2019


novembro


30

|

CARA, Matosinhos

Peter Evans
Workshop: Sintonia e Ressonância

Nos dias 30 de novembro e 1 de Dezembro, o CARA transforma-se num palco de experimentação para estudantes ou ex-estudantes de música da clássica ao jazz. Num workshop com duas sessões de trabalho sobre estruturas de composição (sejam em partitura ou aprendidas de ouvido) e sobretudo sobre improvisação no seu sentido mais lato, pretende-se explorar a subjectividade e referências particulares de cada um dos participantes e como se articulam entre si. O processo de criação em conjunto resultará numa apresentação no final do segundo dia, única e específica deste encontro. O objectivo será promover a importância da sintonia entre os músicos, ouvindo, desconstruindo e experimentando, para que, através dos seus instrumentos, veículos para transmissão de ideias e emoções, se crie um objecto musical.

Peter Evans estudou trompete clássico no conservatório de Oberlin mas em 2003 muda-se para Nova Iorque onde se destaca tanto na cena jazz como na música erudita contemporânea e em geral na música experimental. Além do Peter Evans Ensemble e Being & Becoming Ensemble que lidera, colaborou com o International Contemporary Ensemble e tocou com uma extensa lista de grandes nomes da música nova como John Zorn, Ambrose Akinmusere, Jim Black, Weasel Walter, Ingrid Laubrock entre muitos outros.

Para que cada músico possa explorar o potencial das sessões o workshop está limitado a 10 pessoas, idealmente, por questões de equilíbrio, todas com instrumentos diferentes. Exemplo de grupo: Piano, baixo, percussão, violino, violoncelo, trompete, trombone, trompa, saxofone e electrónica/laptop.

Horário:

30 Novembro
14h30 - 19h30

01 Dezembro
17h - 19h30/20h
21h30 - Concerto

Local: CARA - Centro de Alto Rendimento Artístico - Real Vinícola, Matosinhos
Preço: 20€
Inscrições e informações: info@ojm.pt ou acorte-real@ojm.pt até 25 de Novembro

FB EVENTO

www.peterevanstrumpet.com

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2018


novembro


28

|

Culturgest, Lisboa


Perception beyond knowing
Se imaginarmos os músicos da Orquestra Jazz de Matosinhos sem instrumentos nas mãos, vê­‑los­‑íamos provavelmente a estender os braços em múltiplos sentidos, agarrando tudo o que valesse a pena integrar na sua expressão artística. Tem sido assim, cada vez mais, o percurso deste ensemble ambicioso, que ouvimos desde há muito a tocar a música original dos seus directores e de outros compositores portugueses, como das figuras mais emblemáticas da música moderna para big band, como também dos clássicos desde os tempos do swing. Seja ao lado de grandes solistas de dimensão internacional, seja apoiando os novos talentos do jazz nacional, seja mesmo repartindo o palco com agrupamentos de música clássica, a OJM afirma­‑se sucessivamente como uma orquestra de jazz realmente completa.
Vem esta introdução ao caso porque, na verdade, nem todos os terrenos são já familiares à OJM. O campo da improvisação mais livre tal como ela se apresenta nos dias de hoje, fundindo a sua associação às texturas e estruturas da música erudita contemporânea com as heranças bop e pós-bop, é motivo para chamar uma figura fundamental do jazz actual: Peter Evans, trompetista norte­‑americano de 37 anos. O projecto foi originalmente concebido pela OJM, o que é por si só um desafio acrescido: não há um plano já delineado para o concerto, como quando os grandes solistas se fazem acompanhar das partituras já pré­‑concebidas para serem acompanhados por múltiplas orquestras pelo mundo fora. Não é essa a natureza da OJM. Aqui, o desafio é lançado pela big band, que assume as suas consequências – neste caso, o contradesafio de criar arranjos para um conjunto de composições nascidas em contextos bem diversos e se preparar para a sua desconstrução em pleno palco.

Com pouco mais de uma mão cheia de composições saídas da manga de Peter Evans, além da visita a um standard de Billy Eckstein (“I Want To Talk About You”, uma vénia talvez à espirituosa versão de Coltrane), o trabalho de arranjar esta música e de a levar ao palco tem um traço distintivo a que a OJM nos tem habituado – tudo é feito com profundo respeito pela linguagem do músico convidado, levando a big band até ele sem nenhuma intenção de o fazer sair da sua casa sonora.

A linguagem de Peter Evans, em si mesma, é um desafio para quem julgava conhecer o trompete que por ele é levado a novos patamares expressivos. Com um domínio superior de todos os registos e de técnicas como a respiração circular e os multifónicos, intercala o som tradicional do instrumento com timbres inauditos – não é por acaso que as grandes referências de Evans em certos contextos, como o trio, são precisamente saxofonistas (e menos trompetistas) que levaram longe o universo de possibilidades do instrumento. Sonny Rollings é um deles, e outro é Evan Parker, figura tutelar do mundo em que Evans se move. O próprio Evan Parker fala de Peter Evans com especial apreço: “combinou um controlo instrumental absolutamente notável com uma consciência total de todo o espectro das novas músicas, e as portas abriram­‑se…”

Residente em Nova Iorque desde 2003, Peter Evans está integrado não apenas na cena da música experimental, como também no mundo da chamada música erudita contemporânea, enquanto membro do Internacional Contemporary Ensemble e do ensemble Wet Ink. A sua ligação à música improvisada manifesta­‑se enquanto veículo, simultaneamente, para a autodeterminação artística e para a improvisação colaborativa enquanto ferramenta de composição. Tem­‑se apresentado como líder do Peter Evans Ensemble e do quarteto Being & Becoming – com Joel Ross, Nick Jozwiak e Savannah Harris. É membro dos grupos colaborativos Pulverize the Sound (com Mike Pride e Tim Dahl), Mostly Other People Do The Killing (com Jon Irabagon, Matthew “Moppa” Elliott e Kevin Shea) e Rocket Science (com Evan Parker, Craig Taborn e Sam Pluta), e procura constantemente os contextos mais favoráveis para a experimentação. Como compositor, escreveu música encomendada por entidades como International Contemporary Ensemble, Yarn/Wire, festival Donaueschingen Musiktage, Emerging Artist Program da Jerome Foundation e Doris Duke Foundation. Apresenta­‑se nos grandes festivais mundiais e tem trabalhado com figuras centrais da nova música como John Zorn, Ingrid Laubrock, Jim Black, Weasel Walter, Ambrose Akinmusere, Matana Roberts, Tyshawn Sorey, Levy Lorenzo, Nate Wooley, Steve Schick, Mary Halvorson e Joe McPhee.

As noites agendadas com a OJM, na Casa da Música e na Culturgest, serão um mergulho nas múltiplas dimensões da música fascinante de Peter Evans, com lugar para os domínios mais experimentais, as estruturas de camadas sobrepostas e o primado da improvisação suportado por arranjos que se revelarão, inevitavelmente, como novos caminhos para a expressão desta orquestra. Cumprindo uma das citações preferidas de Peter Evans, por Cecil Taylor: “Improvisação é pensamento, alimentado pela paixão e condicionado pelo pensamento.”

Convidados: Peter Evans (compositor, trompete)

Direção: Musical Pedro Guedes

Música: Peter Evans

Arranjos: Carlos Azevedo, Pedro Guedes

Madeiras: João Guimarães, João Pedro Brandão, Mário Santos, José Pedro Coelho, Rui Teixeira

Trompete: Luís Macedo, Ricardo Formoso, Rogério Ribeiro, Javier Pereiro

Trombone: Daniel Dias, Álvaro Pinto, Paulo Perfeito, Gonçalo Dias

Secção Rítmica: Hugo Raro (piano), Demian Cabaud (contrabaixo), Marcos Cavaleiro (bateria)

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2018


novembro


25

|

Casa da Música (Sala Suggia), Porto


Perception beyond knowing
Se imaginarmos os músicos da Orquestra Jazz de Matosinhos sem instrumentos nas mãos, vê­‑los­‑íamos provavelmente a estender os braços em múltiplos sentidos, agarrando tudo o que valesse a pena integrar na sua expressão artística. Tem sido assim, cada vez mais, o percurso deste ensemble ambicioso, que ouvimos desde há muito a tocar a música original dos seus directores e de outros compositores portugueses, como das figuras mais emblemáticas da música moderna para big band, como também dos clássicos desde os tempos do swing. Seja ao lado de grandes solistas de dimensão internacional, seja apoiando os novos talentos do jazz nacional, seja mesmo repartindo o palco com agrupamentos de música clássica, a OJM afirma­‑se sucessivamente como uma orquestra de jazz realmente completa.
Vem esta introdução ao caso porque, na verdade, nem todos os terrenos são já familiares à OJM. O campo da improvisação mais livre tal como ela se apresenta nos dias de hoje, fundindo a sua associação às texturas e estruturas da música erudita contemporânea com as heranças bop e pós-bop, é motivo para chamar uma figura fundamental do jazz actual: Peter Evans, trompetista norte­‑americano de 37 anos. O projecto foi originalmente concebido pela OJM, o que é por si só um desafio acrescido: não há um plano já delineado para o concerto, como quando os grandes solistas se fazem acompanhar das partituras já pré­‑concebidas para serem acompanhados por múltiplas orquestras pelo mundo fora. Não é essa a natureza da OJM. Aqui, o desafio é lançado pela big band, que assume as suas consequências – neste caso, o contradesafio de criar arranjos para um conjunto de composições nascidas em contextos bem diversos e se preparar para a sua desconstrução em pleno palco.

Com pouco mais de uma mão cheia de composições saídas da manga de Peter Evans, além da visita a um standard de Billy Eckstein (“I Want To Talk About You”, uma vénia talvez à espirituosa versão de Coltrane), o trabalho de arranjar esta música e de a levar ao palco tem um traço distintivo a que a OJM nos tem habituado – tudo é feito com profundo respeito pela linguagem do músico convidado, levando a big band até ele sem nenhuma intenção de o fazer sair da sua casa sonora.

A linguagem de Peter Evans, em si mesma, é um desafio para quem julgava conhecer o trompete que por ele é levado a novos patamares expressivos. Com um domínio superior de todos os registos e de técnicas como a respiração circular e os multifónicos, intercala o som tradicional do instrumento com timbres inauditos – não é por acaso que as grandes referências de Evans em certos contextos, como o trio, são precisamente saxofonistas (e menos trompetistas) que levaram longe o universo de possibilidades do instrumento. Sonny Rollings é um deles, e outro é Evan Parker, figura tutelar do mundo em que Evans se move. O próprio Evan Parker fala de Peter Evans com especial apreço: “combinou um controlo instrumental absolutamente notável com uma consciência total de todo o espectro das novas músicas, e as portas abriram­‑se…”

Residente em Nova Iorque desde 2003, Peter Evans está integrado não apenas na cena da música experimental, como também no mundo da chamada música erudita contemporânea, enquanto membro do Internacional Contemporary Ensemble e do ensemble Wet Ink. A sua ligação à música improvisada manifesta­‑se enquanto veículo, simultaneamente, para a autodeterminação artística e para a improvisação colaborativa enquanto ferramenta de composição. Tem­‑se apresentado como líder do Peter Evans Ensemble e do quarteto Being & Becoming – com Joel Ross, Nick Jozwiak e Savannah Harris. É membro dos grupos colaborativos Pulverize the Sound (com Mike Pride e Tim Dahl), Mostly Other People Do The Killing (com Jon Irabagon, Matthew “Moppa” Elliott e Kevin Shea) e Rocket Science (com Evan Parker, Craig Taborn e Sam Pluta), e procura constantemente os contextos mais favoráveis para a experimentação. Como compositor, escreveu música encomendada por entidades como International Contemporary Ensemble, Yarn/Wire, festival Donaueschingen Musiktage, Emerging Artist Program da Jerome Foundation e Doris Duke Foundation. Apresenta­‑se nos grandes festivais mundiais e tem trabalhado com figuras centrais da nova música como John Zorn, Ingrid Laubrock, Jim Black, Weasel Walter, Ambrose Akinmusere, Matana Roberts, Tyshawn Sorey, Levy Lorenzo, Nate Wooley, Steve Schick, Mary Halvorson e Joe McPhee.

As noites agendadas com a OJM, na Casa da Música e na Culturgest, serão um mergulho nas múltiplas dimensões da música fascinante de Peter Evans, com lugar para os domínios mais experimentais, as estruturas de camadas sobrepostas e o primado da improvisação suportado por arranjos que se revelarão, inevitavelmente, como novos caminhos para a expressão desta orquestra. Cumprindo uma das citações preferidas de Peter Evans, por Cecil Taylor: “Improvisação é pensamento, alimentado pela paixão e condicionado pelo pensamento.”

Convidados: Peter Evans (compositor, trompete)

Direção: Musical Pedro Guedes

Música: Peter Evans

Arranjos: Carlos Azevedo, Pedro Guedes

Madeiras: João Guimarães, João Pedro Brandão, Mário Santos, José Pedro Coelho, Rui Teixeira

Trompete: Luís Macedo, Ricardo Formoso, Rogério Ribeiro, Javier Pereiro

Trombone: Daniel Dias, Álvaro Pinto, Paulo Perfeito, Gonçalo Dias

Secção Rítmica: Hugo Raro (piano), Demian Cabaud (contrabaixo), Marcos Cavaleiro (bateria)

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