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Novos Talentos do Jazz

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Ciclo dedicado a revelar alguns dos melhores novos solistas do jazz português.


A formação académica em jazz, no ensino superior português, iniciou-se há 17 anos por iniciativa dos directores desta orquestra, Pedro Guedes e Carlos Azevedo. Hoje temos um corpo de instrumentistas nacionais com sólida formação e actividade consistente, músicos que quiseram trazer algo de seu para o jazz, que se entregaram à fusão de estilos e fizeram florescer identidades artísticas pessoais. Os novos selos discográficos mostram-se incrivelmente dinâmicos, permitindo que o grande público tome facilmente contacto com a obra de uma nova geração de músicos. Porque não, então, trazer para o raro contexto de uma big band alguns dos mais dignos representantes desta geração?



Novos Talentos do Jazz

Tomás Marques - Saxofone (2020)

Lluc Casares - Saxofone e Clarinete (2019)

João Pedro Coelho - Piano (2019)

José Soares - Saxofone (2018)

Eduardo Cardinho - Vibrafone (2018)

João Barradas - Acordeão (2017)

Gonçalo Moreira - Piano (2017)

Mané Fernandes - Guitarra (2016)

João Mortágua - Saxofone (2016)

Ricardo Toscano - Saxofone (2015)

Rita Maria - Voz (2015)

Sofia Ribeiro - Voz (2014)

Eventos

2020


novembro


20

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Teatro Municipal Constantino Nery, Matosinhos

Novos Talentos do Jazz
Tomás Marques - saxofone


O ciclo da OJM dedicado aos Novos Talentos do Jazz convida o saxofonista faz uma primeira incursão no jazz espanhol com o saxofonista Tomás Marques.


Revelação da nova geração do jazz português, o saxofonista Tomás Marques é o próximo convidado da Orquestra Jazz de Matosinhos no ciclo Novos Talentos do Jazz que se realiza dia 20 de Novembro, no Teatro Municipal de Matosinhos Constantino Nery. Natural de Estarreja, criou o seu próprio quarteto enquanto estudava na Escola Superior de Música de Lisboa, uma viagem entre o jazz tradicional e o jazz moderno de forma singular. Membro da Big Band Estarrejazz, já tocou com grandes nomes do jazz português e internacional. Vencedor do Prémio Jovens Músicos 2019, na categoria jazz combo, Tomás Marques, de 20 anos, integra o projecto “Entre Paredes” de Bernardo Moreira e vai apresentar-se como solista ao lado da Orquestra Jazz de Matosinhos. Ao vivo, com direcção do compositor, maestro e pianista Carlos Azevedo, vão interpretar temas de Kurt Rosenwinkel, João Paulo Esteves da Silva, Carlos Azevedo, Carlos Bica e Florien Ross, mas também dois originais do saxofonista com arranjos de Andreia Santos e Paulo Perfeito. Recorde-se que o Ciclo Novos Talentos do Jazz se realiza desde 2014, duas vezes por ano, com o apoio da Câmara Municipal de Matosinhos. Esta é a 12ª edição deste ciclo que, desde 2019, apresenta também os novos talentos do Jazz de Espanha.


Repertório
Alguém Olhará Por Ti (Carlos Bica)

Ramblin (Florien Ross)

Do Pé Prá Mão (Carlos Azevedo)

Path Of The Heart (Kurt Rosenwinkel)

Certeza (João Paulo Esteves da Silva)

Spring Can Really Hang You Up The Most (Maria João)

O outro Lado da Peça (Tomás Marques)

Portal (Tomás Marques)

Direção musical: Carlos Azevedo

Convidado: Tomás Marques (saxofone)

Madeiras: José Luís Rego, João Guimarães, Mário Santos, Hugo Ciriaco, Rui Teixeira

Trompetes: Luís Macedo, Ricardo Formoso, Rogério Ribeiro, Javier Pereiro

Trombones: Daniel Dias, Paulo Perfeito, Andreia Santos, Gonçalo Dias

Secção Rítmica: José Carlos Barbosa (contrabaixo), João Cunha (bateria), José Diogo Martins (piano)

2019


novembro


2

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Teatro Municipal Constantino Nery, Matosinhos

Novos Talentos do Jazz
Lluc Casares - saxofone tenor e clarinete

O ciclo da OJM dedicado aos Novos Talentos faz uma primeira incursão no jazz espanhol com o saxofonista Lluc Casares.Desde 2014, foram já dez concertos e dez solistas que raras ou nenhumas vezes tínhamos ouvido no contexto de uma big band, e em todos eles ficou clara a inegável vitalidade do jazz nacional, movida em grande parte por instrumentistas com sólida formação e identidades artísticas pessoais muito fortes. Desta vez, a Orquestra Jazz de Matosinhos traz do país vizinho um saxofonista jovem mas muito experiente, que já passou por festivais importantes como North Sea, Montreux, Marciac e Jazz Middelheim. Lluc Casares estudou na Juilliard School, o que lhe deu a oportunidade de ter aulas com Wynton Marsalis, Kenny Washington, Ben Wolfe, Charles Neidich, Ted Rosenthal e Ron Blake. Hoje em dia ensina nesta prestigiada escola nova-iorquina como membro do Music Advancement Program. Antes já se tinha formado na Escola Superior de Música da Catalunha e no Conservatório de Amesterdão.


A estadia de Lluc Casares em Nova Iorque deu origem a um disco em nome próprio premiado como melhor disco de jazz de 2018 pela revista catalã Enderrock, Sketches Overseas. É desse disco que são retirados dois temas originais do saxofonista, Maferefun e 340 Blues, apresentados neste concerto com novos arranjos para big band criados especialmente para a ocasião pelos músicos da OJM João Guimarães e Xavi Pereiro. Convidado também a interpretar alguns temas do extenso e desafiante repertório da OJM, Lluc Casares escolheu naturalmente composições de Pedro Guedes e Carlos Azevedo que são imagem de marca desta orquestra (“Sargaço” e “Pipiwipi”) e também música assinada por grandes arranjadores norte-americanos que têm sido interpretados pela OJM. São os casos de Thad Jones, George Russell e Jim McNeely – neste caso um arranjo de “Up From The Skies” de Jimmy Hendrix, o tema mais jazzy do célebre guitarrista. Da autoria de um outro guitarrista, Kurt Rosenwinkel, “Zhivago” é um tema que não perde o seu balanço contagiante no arranjo criado por Carlos Azevedo e faz parte também desta selecção. A paixão de Lluc pela música de Duke Ellington e Billy Strayhorn acrescenta ao programa “Isfahan”, balada que pede do saxofone tenor uma profundidade expressiva que o músico catalão já demonstrou estar ao seu alcance. Recorde-se que o Ciclo Novos Talentos do Jazz acontece desde 2014, duas vezes por ano, no Teatro Municipal de Matosinhos Constantino Nery com o apoio da Câmara Municipal de Matosinhos.


Repertório

Similau - composição: Arden Clar, Harry Coleman; arranjo: George Russel

Interloper – composição e arranjo: Thad Jones

Sargaço – composição e arranjo: Pedro Guedes

Pipiwipi – composição e arranjo: Carlos Azevedo

Zhivago – composição: Kurt Rosenwinkel; arranjo: Carlos Azevedo

Up From the Skies – composição: Jimmy Hendrix; arranjo: Jim McNeely

Isfahan – composição e arranjo: Duke Ellington, Billy Strayhorn

Maferefun – composição: Lluc Casares, arranjo: João Guimarães

340 Blues - composição: Lluc Casares; arranjo: Javier Pereiro

Back to Babylon – composição e arranjo: Lluc Casares


BILHETES


Convidado: Lluc Casares (saxofone)

Direção: Pedro Guedes
Madeiras: José Luís Rego, João Pedro Brandão, Mário Santos, José Pedro Coelho, Rui Teixeira
Trompetes: Luís Macedo, Ricardo Formoso, Rogério Ribeiro, Javier Pereiro
Trombones: Daniel Dias, Paulo Perfeito, Álvaro Pinto, Gonçalo Dias
Secção Rítmica: Miguel Moreira (guitarra), José Carlos Barbosa (contrabaixo), Carlos Azevedo (piano), Marcos Cavaleiro (bateria)
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2019


março


1

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Teatro Municipal Constantino Nery, Matosinhos

O próximo convidado do ciclo que a OJM dedica aos jovens talentos do jazz nacional é o pianista João Pedro Coelho, um músico de 25 anos que começou a ser notado especialmente após o reconhecimento pelo Prémio Jovens Músicos, em 2013. Licenciado em jazz pela Universidade Lusíada e pelo Conservatório de Amesterdão, é presença assídua nos palcos onde o jazz se faz ouvir, especialmente em Lisboa, ao lado de músicos como Nelson Cascais, André Fernandes ou Afonso Pais. Com o quarteto de Ricardo Toscano, gravou e esgotou salas como a Culturgest ou o CCB. É membro do Trio de Jazz de Loulé, que recebeu convidados como Mário Laginha e Perico Sambeat, e do projecto Elas e o Jazz.

Nesta colaboração especial de João Pedro Coelho com a Orquestra Jazz de Matosinhos, o concerto é preenchido por música desafiante, onde pontificam os compositores-pianistas. É o caso de Fred Hersch, uma referência do jazz norte-americano desde o final dos anos 70, autor de composições que sugerem frequentemente os cruzamentos com a música erudita e exploram intensamente o contraponto e os equilíbrios dinâmicos e tímbricos associados à música de câmara. Hersch colaborou recentemente com a OJM, e dessa colaboração nasceram arranjos para big band de temas como “Days Gone By”, “Song Without Words #2: Ballad”, “Stuttering” e “Arcata”, agora retomados para este concerto.

Enquanto estudante na Universidade Lusíada, João Pedro Coelho teve o privilégio de estudar com uma das maiores referências do jazz português, o pianista João Paulo Esteves da Silva. A sua música espalha uma enorme criatividade melódica e assenta frequentemente sobre as raízes tradicionais e a musicalidade da língua portuguesa, mesmo sem recorrer à palavra. Exemplo disso são os dois temas escolhidos pelo jovem pianista para este concerto: “Certeza” e “Tristo”, ambos incluídos no álbum Bela Senão Sem que a OJM gravou com João Paulo.

Além de recorrer a um arranjo já clássico de Thad Jones – uma figura fundamental para a linguagem moderna de big band – sobre “Groove Merchant”, de Jerome Richardson, o repertório do concerto apresentado no Teatro Municipal de Matosinhos Constantino Nery não podia deixar de apresentar a música criada pelo solista convidado. Assim, com arranjos de dois músicos da OJM (Javier Pereiro e João Guimarães), são apresentados “Tralha” e “Canção sem Palavras”.

Convidados: João Pedro Coelho (piano)

Direção Musical: Carlos Azevedo

Música: Fred Hersch , Jerome Richardson, João Paulo Esteves da Silva, João Pedro Coelho

Arranjos: Carlos Azevedo, Javier Pereiro, João Guimarães, Mike Holober, Pedro Guedes, Thad Jones

Madeiras: João Guimarães, João Pedro Brandão, Mário Santos, José Pedro Coelho, Rui Teixeira

Trompete: Luís Macedo, Pedro Jerónimo, Rogério Ribeiro, Javier Pereiro

Trombone: Daniel Dias, Paulo Perfeito, Andreia Santos, Gonçalo Dias

Secção Rítmica: João Pedro Coelho (piano), Demian Cabaud (contrabaixo), Marcos Cavaleiro (bateria)

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2018


novembro


2

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Teatro Municipal Constantino Nery, Matosinhos

O ciclo Novos Talentos do Jazz chega agora ao seu nono concerto, regressando ao saxofone com um nome sonante na nova geração. José Soares é uma presença frequente na cena jazzística nacional: para além de liderar o seu Quarteto com Mané Fernandes, Francisco Brito e Marcos Cavaleiro, é membro activo de vários projectos cujo trabalho é reconhecido e aclamado pela crítica, tais como: Ensemble Super Moderne, Omniae Ensemble de Pedro Melo Alves, AXES, The Mantra of the pHat Lotus de Mané Fernandes e Jeffery Davis Quinteto, entre outros. Estudante de Mestrado no Conservatório de Amesterdão, começou o seu percurso pela música clássica (Conservatório David de Sousa, Escola Profissional de Música de Espinho), mas voltou-se depois para o jazz, concluindo a Licenciatura na Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo. Foi finalista no Concurso Nacional de Instrumentos de Sopro em Oliveira de Azeméis e vencedor do Prémio Jovens Músicos, na categoria Combo Jazz, com o Eduardo Cardinho Quinteto.

No programa escolhido para este concerto, ganha especial relevo o repertório português para big band que tem vindo a ser desenvolvido pelos directores da OJM. Do seu primeiro disco oficial, editado em 2006, José Soares escolheu três composições assinadas por Carlos Azevedo e Pedro Guedes que esta orquestra interpreta como ninguém, com enorme energia e solidez, além de um tema mais recente de Azevedo dedicado ao Farol de Leça.


Uma colaboração que ficou marcada no percurso da OJM foi a que juntou a orquestra ao guitarrista americano Kurt Rosenwinkel, com um disco editado em 2010. A prova disso é o regresso recorrente desse repertório, uma escolha habitual dos jovens solistas que pisam o palco neste ciclo de Novos Talentos. Os dois temas aqui incluídos são Use of Light e Turns, ambos incluídos no disco Our Secret World. O repertório do concerto inclui uma composição do próprio José Soares – Harbinger, com arranjo de João Guimarães – e uma das melodias mais inspiradas de sempre, da autoria do compositor brasileiro Edu Lobo – Beatriz, que na sua versão original conta com letra de Chico Buarque.


Esta é mais uma oportunidade para ouvir um solista emergente envolvido pelas sonoridades empolgantes de uma big band, uma proposta rara que só a Orquestra Jazz de Matosinhos apresenta, duas vezes por ano, desde 2014.



Repertório

Turns - composição Kurt Rosenwinkel / arranjo Carlos Azevedo

Use of Light - composição Kurt Rosenwinkel / arranjo Pedro Guedes

Jamiro - composição e arranjo Pedro Guedes

Beatriz - composição Edu Lobo, Chico Buarque/ arranjo Telmo Marques

FJP #2 - composição e arranjo Pedro Guedes

Do pé para a mão - composição e arranjo Carlos Azevedo

Harbinger - composição José Soares / arranjo João Guimarães

Farol - composição e arranjo Carlos Azevedo

Convidados: José Soares (saxofone)

Direção Musical: Carlos Azevedo

Música: Carlos Azevedo, Edu Lobo | Chico Buarque, José Soares, Kurt Rosenwinkel, Pedro Guedes

Arranjos: Carlos Azevedo, João Guimarães, Pedro Guedes, Telmo Marques

Madeiras: João Pedro Brandão, João Guimarães, Mário Santos, José Pedro Coelho, Rui Teixeira

Trompete: Luís Macedo, Rogério Ribeiro, Javier Pereiro, Pedro Jerónimo

Trombone: Daniel Dias, Paulo Perfeito, Andreia Santos, Gonçalo Dias

Secção Rítmica: Carlos Azevedo (piano), Demian Cabaud (contrabaixo), Marcos Cavaleiro (bateria)

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2018


março


16

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Teatro Municipal Constantino Nery, Matosinhos


Concerto com jovem vibrafonista inclui duas composições inéditas.



Começou há quatro anos o ciclo dedicado pela OJM aos jovens solistas que cada vez mais têm uma palavra a dizer na fértil evolução do jazz nacional. Um desses jovens é Eduardo Cardinho, a aposta da big band para um concerto especial no Teatro Municipal de Matosinhos Constantino Nery, já no próximo dia 16 de Março, pela primeira vez dedicado ao vibrafone. Licenciado em Jazz pela ESMAE, Cardinho tem conquistado vários prémios: Concurso Internacional em Fermo, Festa do Jazz do São Luiz 2014 (Melhor Instrumentista), Prémio Jovens Músicos. Mas, mais do que os prémios, é a qualidade da sua música que lhe tem reservado um lugar de destaque entre os solistas mais interessantes a surgir nos últimos anos em Portugal. Natural de Leiria, estudou em Espinho e no Porto, e formou-se em vibrafone jazz com a referência máxima deste instrumento no país, Jeffery Davis. Gravou o seu primeiro CD em 2015, em quinteto, mas podemos ouvi-lo também com os projectos Eduardo Cardinho & João Barradas Quartet, Eduardo Cardinho Lisbon Trio e Home.


Não bastava o vibrafone ser um instrumento pouco usual no panorama do jazz nacional, também na experiência da Orquestra Jazz de Matosinhos esta é uma presença rara. Serão por isso particularmente reveladores os caminhos que tomarão várias composições já bem conhecidas dos músicos da big band e do seu público mais fiel. Para além de dois temas inéditos – que deixamos para apresentar no final desta nota –, o repertório escolhido para este concerto inclui alguns dos temas mais fortes já interpretados pela formação, com destaque para dois compositores norte-americanos cruciais: Maria Schneider e Kurt Rosenwinkel.


No primeiro caso, falamos de uma compositora que escreve, sempre, especificamente para o formato de big band. Mais concretamente para a sua própria big band, sem prejuízo de trazer a sua música frequentemente para as estantes de outras orquestras, como já aconteceu com a OJM. Nas composições de Maria Schneider encontram-se quase invariavelmente sugestões de imagens ou, como a própria lhes chama, “esculturas sonoras efémeras”, evocando geometrias e cores mas também memórias que se intrometem de forma espontânea. São histórias e quadros sonoros em permanente movimento que emergem das partituras, numa linguagem moderna, intrincada e muito sedutora. A intensa procura de timbres e uma noção muito maleável de naipe, com amplo uso de surdinas nos metais e a substituição de saxofones por flautas ou clarinetes, traz soluções sempre originais às orquestrações de Maria Schneider. Quem sempre esteve atento à sua música foi Eduardo Cardinho, que escolheu para este concerto dois temas da sua preferência, ambos, curiosamente, com uma ligação forte ao Brasil: Hang Gliding, uma composição nascida a partir de uma viagem em asa-delta realizada no Rio de Janeiro e que traduz as várias sensações provocadas pelo voo (do álbum Allegresse, de 2000); e Choro Dançado, de um álbum inspirado na dança (Concert in the Garden, 2004).


A música de Kurt Rosenwinkel é uma das grandes referências do jazz das últimas duas décadas. O guitarrista de Filadélfia inclui-se numa geração que marcou o percurso do jazz a partir dos anos 90, em Nova Iorque, ao lado de nomes como Brad Mehldau, Mark Turner, Joshua Redman ou Larry Grenadier. Com abordagens muito díspares, desde as sonoridades claramente identificadas com a tradição do jazz histórico até à procura dos elementos mais inspiradores da contemporaneidade, a sua produção criativa inspirou a OJM a desenvolver uma das parcerias mais frutíferas da sua carreira – que foi também a primeira incursão de Rosenwinkel no universo das big bands, resultante no disco Our Secret World (2010) e em múltiplos concertos. Embora neste concerto com Eduardo Cardinho o papel do solista seja transferido para o vibrafone, será relevante mencionar que o compositor criou alguns destes temas, no célebre disco The Next Step (2001), enquanto desafios aos ‘vícios’ de quem conhece demasiado bem o braço da guitarra. Usando afinações novas, bem diferentes da convenção, a guitarra era pensada como se de um instrumento novo se tratasse. Dois dos resultados foram os temas Use of Light (arranjo de Pedro Guedes) e Zhivago (arranjo de Carlos Azevedo), este nascido das imagens impressionantes do filme Doctor Zhivago. Do disco Heartcore (2003), será tocado Our Secret World (arranjo de Carlos Azevedo), com uma abordagem da harmonia pouco convencional e que parte das influências da eletrónica e do hip-hop.

O restante programa do concerto conta com três temas de produção nacional. Do primeiro álbum editado pela OJM, em 2006, chega a energia imparável de Sargaço, um tema de Pedro Guedes que já se tornou um clássico e abre espaço ao virtuosismo de Eduardo Cardinho. Os dois temas que completam o programa, como não podia deixar de ser, são assinados pelo próprio solista convidado e contam com arranjos de dois saxofonistas da OJM: José Pedro Coelho e João Pedro Brandão. é um tema muito enérgico com uma melodia que é, em si mesma, um desafio com margem para o brilho ilustrativo da big band. In Search of Light remete para um universo mais livre, com uma progressão harmónica em constante mudança que aponta um caminho sempre novo e imprevisível.


Texto de Fernando Pires de Lima


Repertório

Release Your Anger, de Eduardo Cardinho (arr: José Pedro Coelho)

In Search of Light, de Eduardo Cardinho (arr: João Pedro Brandão)

Choro Dançado, de Maria Scheneider

Hang Gliding, de Maria Scheneider

Zhivago, de Kurt Rosenwinkel

Use of Light, de Kurt Rosenwinkel

Our Secret World, de Kurt Rosenwinkel

Sargaço, de Pedro Guedes

Convidados: Eduardo Cardinho (vibrafone)

Direção Musical: Carlos Azevedo

Música: Eduardo Cardinho , Kurt Rosenwinkel, Maria Schneider, Pedro Guedes

Madeiras: José Luís Rego, João Pedro Brandão, Mário Santos, José Pedro Coelho, Rui Teixeira

Trompete: Gileno Santana, Ricardo Formoso, Rogério Ribeiro, Javier Pereiro

Trombone: Daniel Dias, Álvaro Pinto, Andreia Santos, Gonçalo Dias

Secção Rítmica: João Salcedo (piano), Demian Cabaud (contrabaixo), João Cunha (bateria)

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2017


novembro


3

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Teatro Municipal Constantino Nery, Matosinhos

O fantástico acordeonista é o convidado especial de mais um concerto da OJM apostado nos jovens solistas.


Elogiado por grandes figuras internacionais do jazz como Joe Lovano, Randy Brecker e Lenny White – que lhe deram a vitória no Made in New York Jazz Competition 2016 –, João Barradas é o próximo convidado da Orquestra Jazz de Matosinhos para o seu ciclo dedicado aos Novos Talentos do Jazz. O jovem acordeonista interessa-se pela exploração de todas as possibilidades do instrumento e tem provocado um grande impacto quer no universo do jazz, quer no da música clássica. Neste último campo, ganhou mais de 30 concursos e tornou-se um músico estabelecido no circuito internacional. Gravou um primeiro CD com apenas 19 anos de idade – Surrealistic Discussion, com Sérgio Carolino – e trabalha regularmente com compositores contemporâneos.


Mas no mundo do jazz, que é o que o traz a este projeto com a OJM, a dimensão de João Barradas não é menor. Tem sido apontado como um expoente do acordeão por nomes cimeiros do jazz norte-americano como Nicholas Payton e Walter Smith III, e participa nos mais importantes festivais nacionais e internacionais. Já em 2017, a Inner Circle/Nischo editou o disco Directions, em que o músico lidera um grupo formado por João Paulo Esteves da Silva, André Fernandes, Bruno Pedroso e André Rosinha, amplamente elogiado pela crítica (“muitas ideias, versatilidade, energia, alta intensidade. Barradas acaba de chegar à primeira divisão e já conquistou o título” – Nuno Catarino, Bodyspace). É neste disco que se encontram dois temas originais que serão também apresentados neste concerto, em novos arranjos escritos por dois músicos da OJM: Letter to Mother’s Immersion (arranjo de João Pedro Brandão) e Varazdin’s Landscape (arranjo de José Pedro Coelho).


O restante programa deste concerto tem origem no extenso repertório da OJM, resultado de uma década e meia de colaborações com os compositores e arranjadores mais criativos do nosso tempo. É uma seleção de composições desafiantes que serão o veículo para as improvisações imaginativas de João Barradas. De João Paulo Esteves da Silva será tocado Certeza, um tema de meados dos anos 90 que se tornou já um standard do jazz português. Da prolífica colaboração da OJM com Kurt Rosenwinkel surge o tema Our Secret World, associado a uma fase em que o guitarrista americano experimentava as influências do hip-hop na construção de teias harmónicas originais. Para além destes dois temas com arranjos de Carlos Azevedo, o programa inclui ainda as influências brasileiras na obra de uma compositora crucial no universo das big bands, Maria Schneider – com Choro Dançado. O tema da dança passa ainda por uma composição do baterista John Hollenbeck, e o programa completa-se com uma visita ao rock de Jimmy Hendrix, num arranjo de Jim McNeelly sobre aquela que é, na verdade, a composição mais jazzística do ícone da guitarra: Up From the Skies.


Repertório:

Letter to Mother’s Immersion - João Barradas - arr. João Pedro Brandão

Varazdin’s Landscape - João Barradas - arr. José Pedro Coelho

Choro Dançado - Maria Schneider

Our Secret World - Kurt Rosenwinkel - arr. Carlos Azevedo

Certeza - João Paulo Esteves da Silva - arr. Carlos Azevedo

Joys & Desires #2 - John Hollenbeck

After a Dance or Two - John Hollenbeck

We Sit Down for a Pint - John Hollenbeck

Up From the Skies - Jimmy Hendrix - arr. Jim McNeelly

Convidados: João Barradas (acordeão)

Direção Musical: Pedro Guedes

Música: Jimmy Hendrix, João Barradas, João Paulo Esteves da Silva, John Hollenbeck, Kurt Rosenwinkel, Maria Schneider

Arranjos: Carlos Azevedo, Jim McNeely, João Pedro Brandão, José Pedro Coelho

Madeiras: João Guimarães, João Pedro Brandão, Mário Santos, José Pedro Coelho, Rui Teixeira

Trompete: Luís Macedo, Ricardo Formoso, Rogério Ribeiro, Javier Pereiro

Trombone: Daniel Dias, Álvaro Pinto, Andreia Santos, Gonçalo Dias

Secção Rítmica: Eurico Costa (guitarra), Carlos Azevedo (piano), José Carlos Barbosa (contrabaixo), Marcos Cavaleiro (bateria)

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2017


março


30

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Teatro Municipal Constantino Nery, Matosinhos

Pianista de Coimbra é o solista convidado para o sexto concerto do ciclo dedicado aos novos talentos do jazz

Já se fizeram ouvir as vozes, os saxofones e uma guitarra. Agora, o convidado especial de mais um concerto da OJM dedicado às novas gerações do jazz nacional vai sentar-se ao piano para dividir o palco com a experiente big band. Licenciado pela Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo do Porto, onde estudou com Pedro Guedes e Abe Rábade, concluiu o curso de Jazz com um recital inteiramente composto por temas originais, obtendo a classificação de 20 valores. É Mestre em Performance pela Universidade de Aveiro e, para lá do mundo académico, tem-se feito ouvir com o seu quinteto em nome próprio e ainda em projetos como Michael Laurent & The Groove Merchants e Septeto de Nuno Ferreira. Participou nos discos de João Mortágua – Janela, Mané Fernandes – BounceLab e Alexandre Coelho Quarteto. Assinou a banda sonora da peça de teatro A Lenda da Princesa Peralta. Ganhou, em 2011, o segundo prémio na categoria Combo Jazz do Prémio Jovens Músicos.

O programa escolhido para este concerto inclui um tema original de Gonçalo Moreira – Poema à Mãe –, dois temas originais de Carlos Azevedo que remontam a uma primeira fase da existência da big bandDoes It Matter e Pipiwipi – e uma composição de João Paulo Esteves da Silva, Bela Senão Sem, que pudemos já ouvir no disco homónimo que a OJM e este pianista gravaram em conjunto em 2013. O alinhamento completa-se com temas escolhidos entre o repertório imenso que a OJM tem interpretado ao longo dos anos, da pena de figuras incontornáveis e multipremiadas do jazz contemporâneo dos Estados Unidos da América. É o caso de Kurt Rosenwinkel, com um tema tão icónico como Zhivago que marcou o jazz dos anos 90; ou de Maria Schneider, mestre das cores da big band, com um tema nascido de uma viagem em asa-delta realizada no Rio de Janeiro (Hang Gliding); ou dois temas de Jim McNeely, pianista e compositor da histórica Vanguard Jazz Orchestra (We Will Not Be Silenced e Extra Credit); até ao influente pianista Fred Hersh, com dois temas que fizeram parte de uma recentíssima parceria com a OJM: The Orb e Arcata.

Convidados: Gonçalo Moreira (piano)

Direção Musical: Carlos Azevedo

Música: Carlos Azevedo, Fred Hersch , Gonçalo Moreira, Jim McNeely, João Paulo Esteves da Silva, Kurt Rosenwinkel, Maria Schneider

Madeiras: João Pedro Brandão, João Guimarães, Mário Santos, José Pedro Coelho, Rui Teixeira

Trompete: Gileno Santana, Javier Pereiro, Ricardo Formoso, Rogério Ribeiro

Trombone: Daniel Dias, Paulo Perfeito, Álvaro Pinto, Gonçalo Dias

Secção Rítmica: Gonçalo Moreira (piano), Demian Cabaud (contrabaixo), Marcos Cavaleiro (bateria)

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2016


novembro


16

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Teatro Municipal Constantino Nery, Matosinhos

Ciclo dedicado aos Novos Talentos do Jazz vai já na sua terceira edição e convida desta vez o guitarrista portuense Mané Fernandes.

Primeiro foi a voz, depois o saxofone. Chegados agora à terceira edição deste projeto, a Orquestra Jazz de Matosinhos volta-se para a guitarra e convida um dos seus representantes mais talentosos para se apresentar junto da big band enquanto solista. O guitarrista convidado é Mané Fernandes, músico de 26 anos que tem tido uma participação muito ativa no panorama do jazz atual. Natural do Porto, estudou guitarra jazz com Peixe (Ornatos Violeta, Pluto e Zelig) e licenciou-se depois na Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo do Porto, onde estudou com Nuno Ferreira e Virxilio da Silva, concluindo o recital final com 20 valores. Recebeu uma menção honrosa na edição de 2010 da Festa do Jazz do São Luiz, fazendo parte do combo vencedor do concurso de escolas superiores. Integrou o Coletivo SV, premiado na 25.ª edição do Prémio Jovens Músicos, na categoria de combo jazz.

O primeiro álbum em nome próprio de Mané Fernandes surgiu em novembro de 2014 –Mané Fernandes – BounceLab. Prepara-se agora para lançar o seu primeiro álbum em trio (com Manuel Brito no contrabaixo e Iago Fernández na bateria) e um quinteto de improvisação livre (com João Barradas no acordeão, João Moreira no trompete, Demian Cabaud no contrabaixo e Marcos Cavaleiro na bateria). Mantém-se muito ativo na cena musical portuguesa e tocou com o seu BounceLab na Casa da Música, no âmbito do festival Spring ON!, em 2014.

O programa escolhido para este concerto inclui um tema original de Mané Fernandes – Le Tunka – e um arranjo assinado pelo próprio para um tema emblemático de Wayne Shorter – Yes or No. As partituras de autores portugueses estão em destaque com dois temas originais dos diretores da OJM que remontam a uma primeira fase da existência da big bandSargaço de Pedro Guedes e Why Not de Carlos Azevedo – e ainda uma composição desafiante de João Paulo Esteves da Silva intitulada Certeza datada de meados dos anos 90 (com arranjo de Carlos Azevedo). O alinhamento completa-se com temas escolhidos entre o repertório imenso que a OJM tem interpretado ao longo dos anos: Three and One de Thad Jones, um nome basilar da escrita moderna para orquestra de jazz; Tremor do pianista alemão Florian Ross; e Use of Light do guitarrista Kurt Rosenwinkel (arranjo de P. Guedes).

Convidados: Mané Fernandes (guitarra)

Direção Musical: Tomás Marques

Música: Carlos Azevedo, Florian Ross, João Paulo Esteves da Silva, Kurt Rosenwinkel, Mané Fernandes, Pedro Guedes, Thad Jones, Wayne Shorter

Arranjos: Carlos Azevedo, Mané Fernandes, Pedro Guedes

Madeiras: João Pedro Brandão, João Guimarães, Mário Santos, José Pedro Coelho, Rui Teixeira

Trompete: Gileno Santana, Javier Pereiro, Rogério Ribeiro, Eduardo Santos

Trombone: Daniel Dias, Paulo Perfeito, Andreia Santos, Gonçalo Dias

Secção Rítmica: Mané Fernandes (guitarra), Carlos Azevedo (piano), Demian Cabaud (contrabaixo), Marcos Cavaleiro (bateria)

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2016


fevereiro


20

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Teatro Municipal Constantino Nery, Matosinhos

Orquestra Jazz de Matosinhos prossegue a aposta nos novos talentos com o solista João Mortágua.


O ciclo dedicado pela OJM aos jovens solistas que têm conquistado um lugar de maior relevo no jazz nacional chega agora ao seu quarto concerto. É já no dia 20 de Fevereiro pelas 21:30, no Cine-Teatro Constantino Nery, que a noite se veste com o som quente de um saxofonista que tem merecido rasgados elogios da crítica, especialmente desde a edição do seu disco de estreia em nome próprio – Janela (Carimbo Porta-Jazz, 2014). Natural de Estarreja e formado inicialmente em piano e saxofone no Conservatório de Música de Aveiro, voltou-se mais tarde para o jazz e veio a licenciar-se na Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo do Porto, precisamente em jazz. Aí, rapidamente se destacou ao tomar parte no Septeto premiado na Festa do Jazz do São Luiz 2007. Nos anos seguintes, facilmente o encontramos nos mais variados clubes e festivais de jazz, ou nos discos de músicos como Miguel Moreira, Nuno Ferreira, Mané Fernandes, pLoo de Paulo Costa, Filipe Teixeira, Alexandre Coelho, Marcel Pascual ou Fanfarra Káustika.


O programa do concerto contará com algumas novidades absolutas no repertório da orquestra, com óbvio destaque para os dois temas do disco de Mortágua que serão revestidos por novos arranjos para big band – revelando uma outra aposta da OJM, desta vez nos novos arranjadores. Os temas são Girândola e Voo, e os arranjadores AP Neves e José Pedro Coelho. Depois, poderemos assistir a um desfile de alguns dos nomes mais sonantes da escrita para este formato. Assim, um arranjo de Gil Evans sobre um tema de Charlie Parker traz à memória o álbum histórico New Bottle Old Wine, de 1958, que contava com Cannonball Aderley como principal solista. A energia imparável de “GG Train” leva-nos ao tempo de Mingus Ah Um, álbum não menos histórico de Charles Mingus. Depois, Mortágua e a OJM navegam sobre temas de um conjunto de grandes compositores reconhecidos pelo seu papel fulcral na construção da sonoridade moderna das orquestras de jazz – de Bob Brookmeyer a Maria Schneider, passando por John Hollenbeck. Tudo isto sem esquecer, naturalmente, a música dos directores da OJM, Pedro Guedes e Carlos Azevedo.

Convidados: João Mortágua (saxofone)

Direção Musical: Pedro Guedes

Música: Bob Brookmeyer, Carlos Azevedo, Charlie Parker, Charles Mingus , João Mortágua, John Hollenbeck, Maria Schneider, Pedro Guedes

Arranjos: António Pedro Neves, Gil Evans , José Pedro Coelho

Madeiras: João Guimarães, João Pedro Brandão, Mário Santos, José Pedro Coelho, Rui Teixeira

Trompete: Javier Pereiro, Ricardo Formoso, Rogério Ribeiro, Susana Santos Silva

Trombone: Daniel Dias, Paulo Perfeito, Álvaro Pinto, Gonçalo Dias

Secção Rítmica: Carlos Azevedo (piano), Diogo Dinis (contrabaixo), Marcos Cavaleiro (bateria)

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2015


outubro


17

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Teatro Municipal Constantino Nery, Matosinhos

OJM volta a apostar na nova geração do jazz português, convidando uma das grandes revelações recentes do saxofone para um concerto único no Cine-Teatro Constantino Nery em Matosinhos.


Depois de dois primeiros concertos dedicados à voz, este novo ciclo da OJM com jovens solistas que se vão afirmando no jazz nacional prossegue com o saxofone já a 17 de Outubro. O primeiro convidado, Ricardo Toscano, conquistou o Prémio Jovens Músicos em 2011 em quarteto com André Santos, João Hasselberg e João Pereira, na primeira edição em que este concurso integrou a categoria de jazz. Com apenas 22 anos completados em Setembro último, colaborou já com artistas como Carlos do Carmo, Camané, Rui Veloso e António Zambujo, e foi escolha de Mário Laginha para um ciclo de concertos programado pelo prestigiado pianista na Casa da Música. Este ano, integrou a reedição do histórico Sexteto de Jazz de Lisboa, ao lado de Mário Laginha, Tomás Pimentel, Edgar Caramelo, Pedro Barreiros e Mário Barreiros. Mais do que uma promessa, Ricardo Toscano é já uma voz firme do jazz nacional, procurado pelos seus pares e igualmente pelos veteranos.


Neste concerto em Matosinhos, Toscano e a OJM percorrem alguns momentos cruciais da música norte-americana para big band, passando por criadores enormes como Billy Strayhorn (com um tema escrito para a célebre orquestra de Duke Ellington), Bob Brookmeyer e Maria Schneider – três gerações de compositores incontornáveis para este formato. Confirmando a predileção de Toscano pela abordagem às suas grandes referências, mais do que em apressar as investidas no campo da composição original, salienta-se ainda a interpretação de dois arranjos magistrais de Gil Evans retirados do álbum histórico “New Bottle Old Wine", de 1958, que contava com Cannonball Aderley como principal solista.


A outra metade do concerto tem como ponto de partida o já extenso repertório da OJM. “Sargaço” e “Does It Matter" são composições de Pedro Guedes e Carlos Azevedo, respetivamente, que assinam também os outros três arranjos em programa, criados originalmente para projetos da orquestra com o guitarrista Kurt Rosenwinkel e a cantora Maria João.

Convidados: Ricardo Toscano (saxofone alto)

Direção Musical: Pedro Guedes

Música: Billy Strayhorn, Bob Brookmeyer, Carlos Azevedo, Duke Ellington, Hoagy Carmichael , Jelly Roll Morton, Kurt Rosenwinkel, Lil Hardin Armstrong, Maria Schneider, Pedro Guedes

Arranjos: Carlos Azevedo, Gil Evans , Pedro Guedes

Transcrição: David Berger, Niclas Rydh

Madeiras: José Luís Rego, João Pedro Brandão, Mário Santos, Diego Alvarez, Rui Teixeira

Trompete: Gileno Santana, Ricardo Formoso, Rogério Ribeiro, Javier Pereiro

Trombone: Daniel Dias, Paulo Perfeito, Álvaro Pinto, Gonçalo Dias

Secção Rítmica: Gonçalo Moreira (piano), Demian Cabaud (contrabaixo), Marcos Cavaleiro (bateria)

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2015


fevereiro


6

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Teatro Municipal Constantino Nery, Matosinhos

Rita Maria é uma das convidadas de um novo projeto da Orquestra Jazz de Matosinhos, focado em revelar alguns dos melhores solistas do jazz português. O concerto da jovem cantora acompanhada pela OJM no Teatro Municipal de Matosinhos Constantino Nery, insere-se no ciclo dedicado à voz.


Rita Maria tem experiência nos mais diversos estilos musicais, desde o fado ao rock, à fusão e à world music, e embora se entregue afincadamente a todos, é ao jazz que deve a sua formação principal. A cantora lisboeta mudou-se para o Porto para estudar na ESMAE (cuja formação académica no jazz – a primeira no país – foi criada pelos diretores da OJM, Pedro Guedes e Carlos Azevedo) e lançou o seu primeiro álbum Míope e o Arco-Íris, em 2013.


Neste concerto, Rita Maria interpreta clássicos da música brasileira e latino-americana, sinal que a sua forte ligação com o Equador, onde passou grande parte da sua vida adulta, se manifesta nas suas influências.


Encontros e Despedidas de Milton Nascimento e Fernando Brant; e Soledad de Jorge Dexler, dois temas com arranjos de Pedro Guedes, que a brasileira Maria Rita cantou com a OJM há alguns anos, são re-interpretados por Rita Maria neste espetáculo, em que a cantora recorda também um momento marcante do seu percurso, a música Poema à Mãe, de Gonçalo Moreira e Eugénio de Andrade (e aqui com arranjos de João Pedro Brandão), que cantou pela primeira vez no seu recital de curso na ESMAE.


Prova da busca de Rita Maria por novos desafios, a solista irá interpretar o tema em crioulo, Lua de Princezito com arranjos de Pedro Guedes, uma canção emblemática de Cabo Verde e parte do repertório que Mayra Andrade apresentou numa colaboração passada com a OJM; e o nostálgico Alfonsina y El Mar de Ariel Ramírez e Félix Luna, um clássico que homenageia a poetisa argentina Alfonsina Storni (aqui, com arranjos de Javier Pereiro).


Um dos temas originais selecionados por Rita Maria é Abdicação, baseado no poema de Fernando Pessoa e presente no seu primeiro álbum, foi originalmente composto para o Festival Jazz in Situ 2011, no Equador. Para este concerto com a OJM, os arranjos são de António Pedro Neves.


Rita Maria apresenta igualmente peças de referência no jazz moderno, como Goodbye Pork Pie Hat, assinado por Charles Mingus e Joni Mitchell e com arranjos de Pedro Guedes; e temas que refletem o que melhor se faz em música em Portugal, como Onde Mora o Mundo, uma colaboração entre Afonso Pais e JP Simões, com arranjos de Rui Teixeira; Certeza, de João Paulo Esteves da Silva e arranjos de Carlos Azevedo; e uma referência ao pop rock nacional com Dançar na Corda Bamba dos Clã, com arranjos de José Pedro Coelho.


Rita Maria revela-se como uma das cantoras da nova geração que traz a sua própria identidade para o jazz nacional. Em próximos concertos deste projeto da OJM – inaugurado num concerto com Sofia Ribeiro, em Novembro de 2014 – iremos assistir a mais solistas e instrumentistas de excelência acompanhados pela big band.

Convidados: Rita Maria (voz)

Direção Musical: Carlos Azevedo

Arranjos: António Pedro Neves, Carlos Azevedo, Javier Pereiro, João Pedro Brandão, José Pedro Coelho, Pedro Guedes, Rui Teixeira

Madeiras: José Luís Rego, João Guimarães, Mário Santos, José Pedro Coelho, Rui Teixeira

Trompete: Gileno Santana, Javier Pereiro, Rogério Ribeiro, Susana Santos Silva

Trombone: Daniel Dias, Paulo Perfeito, Andreia Santos, Gonçalo Dias

Secção Rítmica: Eurico Costa (guitarra), Pedro Guedes (piano), Demian Cabaud (contrabaixo), Marcos Cavaleiro (bateria)

2014


novembro


7

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Teatro Municipal Constantino Nery, Matosinhos

Sofia Ribeiro inaugura o novo projeto da Orquestra Jazz de Matosinhos, que procura dar visibilidade à nova geração do jazz português. Sofia é a primeira convidada de um ciclo dedicado à voz, que apresenta, no Teatro Municipal de Matosinhos Constantino Nery, alguns dos melhores solistas do nosso país.

Com um percurso sólido no jazz, Sofia Ribeiro é reconhecida pelas suas performances fortes e emotivas, e por um estilo contido e intimista, que ultrapassa as fronteiras dos géneros musicais. Fortemente aplaudida pela crítica, formou-se na ESMAE - Escola Superior de Música, Artes e Espetáculo no Porto e passou por escolas internacionais em Boston, Bruxelas, Paris e Barcelona. Em 2005, gravou o seu primeiro álbum em nome próprio, Dança da Solidão, em colaboração com o compositor Marc Demuth.

É uma oportunidade singular ouvir Sofia Ribeiro acompanhada por uma formação instrumental alargada, a OJM, que permite uma nova perspetiva e arranjos mais complexos sobre os temas da solista. Neste concerto, Sofia re-interpreta temas que a big band já havia interpretado com a cantora Maria João: Beatriz (de Edu Lobo e Chico Buarque), e os standards Skylark e Spring Can Really Hang You Up the Most.

O mesmo se verifica com temas da brasileira Maria Rita e da cabo-verdiana Mayra Andrade. No caso de Maria Rita, Sofia interpreta os temas Agora Só Falta Você (de Rita Lee) e Casa Pré-Fabricada (de Marcelo Camelo). No caso de Mayra Andrade, o tema escolhido é Stória, Stória, do álbum da cantora com o mesmo nome. Telmo Marques realizou os arranjos do tema Beatriz; Carlos Azevedo fez os arranjos de Spring Can Really Hang You Up the Most; e os restantes arranjos são de Pedro Guedes.

Neste concerto em Matosinhos, Sofia apresenta também algumas escolhas do seu quarto álbum, Ar (2012), tendo como principal referência a música brasileira: Maria Mercedes (de Djavan), aqui com arranjos de Gileno Santana; A Medida da Paixão (de Lenine e Dudu Falcão), com arranjos de Andreia Santos.

Ar é mais um dos sucessos de Sofia Ribeiro. Realizado em colaboração com o pianista colombiano Juan Andrés Ospina, este álbum recebeu o prémio Revelação da prestigiada revista francesa Jazzman. Faz por isso sentido incluir neste concerto com a OJM alguns temas originais de Sofia registados neste álbum, marcados pela simplicidade das letras ou por um ritmo contagiante: Os Teus Olhos, baseado no poema de Florbela Espanca (arranjos de Paulo Perfeito), Bola de Chumbo (arranjos de Tomás Marques) e Adversidade (arranjos de Telmo Marques).

Convidados: Sofia Ribeiro (voz)

Direção Musical: Carlos Azevedo

Música: Letra Djavan, Edu Lobo | Chico Buarque, Hoagy Carmichael | Johnny Mercer, Juan Andrés Ospina | Sofia Ribeiro, Lenine | Dudu Falcão, Mayra Andrade, Marcelo Camelo, Rita Lee, Sofia Ribeiro | Florbela Espanca, Tommy Wolf | Fran Landesman

Arranjos: Andreia Santos, Carlos Azevedo, Gileno Santana, Paulo Perfeito, Pedro Guedes, Telmo Marques, Tomás Marques

Madeiras: João Pedro Brandão, João Guimarães, Mário Santos, José Pedro Coelho, Rui Teixeira

Trompete: Gileno Santana, Javier Pereiro, Rogério Ribeiro, Sérgio Pacheco

Trombone: Daniel Dias, Paulo Perfeito, Andreia Santos, Gonçalo Dias

Secção Rítmica: José Carlos Barbosa (contrabaixo), Carlos Azevedo (piano), Marcos Cavaleiro (bateria)

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