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Costa Muda

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Tendo como ponto de partida um filme histórico com imagens do trágico naufrágio do paquete Veronese, ocorrido ao 1913 na costa da Praia da Boa Nova, este cine-concerto aprofunda os pontos de contacto entre a temática do mar e a música, com vista para o Porto de Leixões. Luís Tinoco escreveu música nova para O Naufrágio do Veronese que capta a tristeza que se viveu por trás da câmara e não pôde ficar documentada. Margarida Cardoso criou um filme para uma obra composta em 2001 por Bernardo Sassetti também ela ligada ao mar, Pescaria. O restante programa é preenchido por novas composições e curtas-metragens nascidas das parcerias entre compositores e cineastas, resultado de encomendas da Casa da Música, Câmara Municipal de Matosinhos e APDL, no âmbito do festival Invicta.Música.Filmes. Aos filmes de Tiago Guedes, Sandro Aguilar, Francisco Moura e João Canijo somaram-se, respetivamente, as composições de Pedro Guedes, Carlos Azevedo, Ohad Talmor e Mário Laginha. A projeção dos filmes acompanhada ao vivo pela Orquestra Jazz de Matosinhos, percorre os olhares extremamente pessoais e inesperados sobre uma realidade que nos é estranhamente próxima.



Costa Muda / Luís Tinoco (compositor)

Os numerosos naufrágios e encalhes ocorridos ao longo da faixa costeira compreendida entre as barras dos rios Douro e Ave, nomeadamente durante a noite em épocas em que os pontos luminosos eram escassos, levaram os mareantes estrangeiros a cognominarem-na, no passado, de Costa Negra ou Costa Muda. Foi também nesta costa, na praia da Boa Nova, que a 16 de janeiro de 1913 naufragou o paquete Veronese num trágico acidente que ficou registado no filme que inspirou a partitura que escrevi para a Orquestra Jazz de Matosinhos. O meu primeiro contacto com este documento, porém, não me permitiu a verdadeira dimensão da tragédia. As imagens centram-se no navio encalhado e nos esforços da população que se uniu para salvar as vidas dos passageiros do Veronese. Através destas imagens, percebemos a forma engenhosa como foram lançados foguetões de terra para bordo, com o objetivo de colocar os cabos de vai-vem para transportar os náufragos até à praia. No entanto o filme não capta todo o sofrimento que se viveu durante três dias e que só pude perceber quando li relatos sobre (…) uma mãe que, carregando dois filhos, perde um deles arrebatado pela violência das ondas; ou sobre um (…) cabo de vai-vem que se partiu, deixando um náufrago à deriva, sem forças para lutar pela vida. Assim, para esta peça, mais do que pretender acompanhar passo a passo as imagens projetadas, procurei escrever uma música que captasse a tristeza que se viveu atrás da câmara e que não pôde ficar documentada neste belo filme.


Dive / Sandro Aguilar (realizador)

Voar, mergulhar, são formas de invadir um espaço que nos foi interditado pela natureza dos nossos corpos. Talvez por isso seja a matéria de muitos dos nossos sonhos, o motivo das nossas ambições e frequentemente a figuração da nossa angústia. Quando se atreve a ultrapassar este limite, e apesar da iminência de um naufrágio, o homem é recompensado por uma espécie de renascimento. De olhos limpos, pode voltar a descobrir um território virgem, todo um mundo primitivo com a sua própria gravidade, novos perigos e revelações. Quando nasce está na fronteira com a morte tal como quando, próximo da morte, experimenta intensamente o milagre muito físico de permanecer vivo.


Tritão / Francisco Castro Moura (realizador)

O céu. O mar. A imensidão do Homem que controla o inelutável. Quando Golias chega ao Porto não pode entrar à força de peso nem de tamanho. David irá alcancá-lo, contorná-lo, comandá-lo até ao destino. É como se David e Golias se enfrentassem e enquanto David segue em frente, mantendo a rota, Golias sucumbe vítima do próprio tamanho, do próprio peso. Pela popa, David controla a navegação, vence a opulência e a solidez e reboca Golias até à atração. Invertem-se os tamanhos pela força da destreza, encontram-se equilíbrios inesperados, hierarquias consentidas. É David quem o recebe, quem o vê chegar, quem o leva a bom porto, é também ele quem o vê partir, quem o devolve ao mar.


Espécie de Miragem Incompleta / Tiago Guedes (realizador)

Como ponto de partida quis explorar em filme o conceito de improvisação tal como é explorado na música. Comecei a montar o filme em silêncio, compondo ritmos possíveis com imagens para uma música imaginária. Fui enviando ao Pedro sequências e excertos que ele foi usando como inspiração para ir compondo. À medida que isso acontecia foi-me ele enviando sequências e excertos musicais para eu usar como inspiração para ir avançando com a montagem. Este pingue-pongue criativo de imagens e de sons fez-nos chegar a uma palavra, a uma ideia, que por sua vez resultou neste filme. Suspensão: ato ou efeito de suspender; estado de algo que está suspenso; enleio, êxtase; incerteza, dúvida; hesitação, pausa; sentido interrompido ou incompleto; sustentação de uma nota musical; sinal de pausa; espécie de miragem incompleta.


Atlas / Margarida Cardoso (realizadora)

Atlas foi construído para uma peça pré-existente do Bernardo Sassetti. Na verdade foi um exercício semelhante a adaptar um conto ou um romance para cinema, e isso nem sempre é simples… Como materializar - fixar - em imagens finitas o que na música, tal como na literatura, nos é sugerido através de imagens infinitas? Tentei manter o que julguei ser a essência narrativa da música do Bernardo mas servindo-me do meu universo e daquilo que me interessava explorar: o tempo e a memória. Atlas é também uma “pescaria” de matérias visuais com as quais quis criar um mundo irreal e intemporal por onde vagueiam sonhos, fragmentos de memórias… e o mar.


Cruzeiro / João Canijo (realizador)

Um paquete de cruzeiros chega ao porto de Leixões. Os turistas em férias desembarcam para visitar a cidade, no meio do trabalho do porto que continua como se eles importassem menos que as gaivotas. A vida é patética. Mas será mais patética a vida ativa da gente que tenta sobreviver, ou a vida aborrecida dos reformados que se deixam arrebanhar num cruzeiro low-cost? O contraste das imagens das atitudes é visível, mas o invisível da miséria das almas só pode ser imaginado.



O Naufrágio do Veronese, produção Invicta Film [1913, 5’46’’]

+ Costa Muda, música de Luís Tinoco [2013] **


Dive, filme de Sandro Aguilar [2013, 9’56’’] **

+ Dive, música de Carlos Azevedo [2013] **


Tritão, filme de Francisco Castro Moura [2013, 7’59’’] **

+ Etude 1 - Movement, música de Ohad Talmor [2013] **


Espécie de Miragem Incompleta, filme de Tiago Guedes [2013, 7’3’’] **

+ Cestas e Garras, música de Pedro Guedes [2013] **


Atlas, filme de Margarida Cardoso [2013, 8’16’’] **

+ Pescaria, música de Bernardo Sassetti [2001] *


Cruzeiro, filme de João Canijo [2013, 8’] **

+ Leixões, música de Mário Laginha [2013] **


* Encomenda da Porto 2001, Capital Europeia da Cultura/Casa da Música (estreia no âmbito da Porto 2001 pela Orquestra Jazz de Matosinhos)

** Encomendas da Casa da Música, Câmara Municipal de Matosinhos e APDL

Eventos

2017


novembro


17

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Casa da Arquitectura, Matosinhos

No âmbito da abertura da Casa da Arquitectura – Centro Português de Arquitectura, situada nas instalações da Real Vinícola em Matosinhos, a Orquestra Jazz de Matosinhos integra a programação intensa e variada desta grande festa da arquitectura aberta a todos.


A Orquestra Jazz de Matosinhos aproveita esta oportunidade para dar a conhecer o seu novo espaço ao público em geral e apresenta um cine-concerto em que exibe quatro curtas-metragens e interpreta quatro composições que tiveram estreia no programa Invicta.Música.Filmes em 2013 na Casa da Música.


O Naufrágio do Veronese, produção Invicta Film [1913, 5’46’’]

Costa Muda, música de Luís Tinoco [2013] **

Dive, filme de Sandro Aguilar [2013, 9’56’’] **

Dive, música de Carlos Azevedo [2013] **

Atlas, filme de Margarida Cardoso [2013, 8’16’’] **

Pescaria, música de Bernardo Sassetti [2001] *

Cruzeiro, filme de João Canijo [2013, 8’] **

Leixões, música de Mário Laginha [2013] **


* Encomenda da Porto 2001, Capital Europeia da Cultura/Casa da Música (estreia no âmbito da Porto 2001 pela OJM)

** Encomendas da Casa da Música, Câmara Municipal de Matosinhos e APDL

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2017


julho


28

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Praça Guilhermina Suggia, Matosinhos


Em Fevereiro de 2013, no âmbito do programa Invicta.Música.Filmes, a Orquestra Jazz de Matosinhos interpretou na Casa da Música do Porto a peça Costa Muda, composta por Luís Tinoco para servir de banda sonora a um dos mais antigos registos cinematográficos da pioneira produtora de cinema Invicta Film, Lda. O Naufrágio do Veronese, filmado em Matosinhos cem anos antes, em fevereiro de 1913, foi uma das primeiras produções da Invicta Film com distribuição internacional, mostrando de modo épico o socorro e resgate dos naufrágios do navio Veronese.


No mesmo cine-concerto em que o filme do naufrágio foi resgatado e adquiriu uma nova camada musical, contemporânea e singular, a OJM acompanhou também a exibição de um novo conjunto de curtas-metragens encomendadas pela Casa da Música, pela Câmara Municipal de Matosinhos e pela APDL as quais tinham por pano de fundo o bulício portuário de Leixões. Aos filmes de Tiago Guedes, Sandro Aguilar, Francisco Moura e João Canijo somaram-se, respetivamente, as composições de Pedro Guedes, Carlos Azevedo, Ohad Talmor e Mário Laginha


A curta de Margarida Cardoso, Atlas, contou com a inspiração de Pescaria, um tema que Bernardo Sassetti compusera anos antes. Este concerto irá reproduzir na íntegra o programa apresentado em 2013 na Casa da Música. Uma oportunidade única de assistir a estas criações cinematográficas e musicais.


O Naufrágio do Veronese, produção Invicta Film [1913, 5’46’’]

Costa Muda, música de Luís Tinoco [2013] **

Dive, filme de Sandro Aguilar [2013, 9’56’’] **

Dive, música de Carlos Azevedo [2013] **

Atlas, filme de Margarida Cardoso [2013, 8’16’’] **

Pescaria, música de Bernardo Sassetti [2001] *

Cruzeiro, filme de João Canijo [2013, 8’] **

Leixões, música de Mário Laginha [2013] **


* Encomenda da Porto 2001, Capital Europeia da Cultura/Casa da Música (estreia no âmbito da Porto 2001 pela OJM)

** Encomendas da Casa da Música, Câmara Municipal de Matosinhos e APDL


Entrada livre.

Direção Musical: Pedro Guedes

Música: Bernardo Sassetti, Carlos Azevedo, Luís Tinoco, Mário Laginha, Ohad Talmor, Pedro Guedes

Madeiras: João Pedro Brandão, João Guimarães, Mário Santos, José Pedro Coelho, Rui Teixeira

Trompete: Gileno Santana, Ricardo Formoso, Rogério Ribeiro, Javier Pereiro

Trombone: Daniel Dias, Álvaro Pinto, Andreia Santos, Gonçalo Dias

Secção Rítmica: Miguel Moreira (guitarra), Carlos Azevedo (piano), José Carlos Barbosa (contrabaixo), Marcos Cavaleiro (bateria)

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2013


fevereiro


26

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Casa da Música (Sala Suggia), Porto

A cidade do Porto foi pioneira da indústria cinematográfica em Portugal, que ficou marcada pela criação, na primeira década do seculo XX, da Invicta Film. Uma das suas primeiras produções com distribuição internacional foi O Naufrágio do Veronese, filme de 1913 que testemunha o acidente marítimo de um navio que ocorreu ao largo do farol da Boa Nova, em Leça, dá o mote a uma série de diálogos entre música e cinema. Novas obras para big band são escritas ao jeito de bandas sonoras para filmes inspirados neste trágico acontecimento que marcou a história do cinema em Portugal. A Orquestra Jazz de Matosinhos acompanha ao vivo a projecção dos filmes.


O Naufrágio do Veronese, produção Invicta Film [1913, 5’46’’]

Costa Muda, música de Luís Tinoco [2013] **

Dive, filme de Sandro Aguilar [2013, 9’56’’] **

Dive, música de Carlos Azevedo [2013] **

Atlas, filme de Margarida Cardoso [2013, 8’16’’] **

Pescaria, música de Bernardo Sassetti [2001] *

Cruzeiro, filme de João Canijo [2013, 8’] **

Leixões, música de Mário Laginha [2013] **


* Encomenda da Porto 2001, Capital Europeia da Cultura/Casa da Música (estreia no âmbito da Porto 2001 pela OJM)

** Encomendas da Casa da Música, Câmara Municipal de Matosinhos e APDL

Direção Musical: Pedro Guedes

Música: Bernardo Sassetti, Carlos Azevedo, Luís Tinoco, Marco Barroso, Mário Laginha, Ohad Talmor, Paulo Perfeito, Pedro Guedes, Zé Eduardo

Madeiras: José Luís Rego, João Pedro Brandão, Mário Santos, José Pedro Coelho, Rui Teixeira

Trompete: Gileno Santana, Javier Pereiro, Susana Santos Silva , Rogério Ribeiro

Trombone: Daniel Dias, Álvaro Pinto, Andreia Santos, Gonçalo Dias

Secção Rítmica: André Fernandes (guitarra), Carlos Azevedo (piano), Demian Cabaud (contrabaixo), Marcos Cavaleiro (bateria)

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