Grande Pesca Sonora 2017

A Grande Pesca Sonora (GPS) encarna o projeto educativo do LabJázzica - serviço educativo da OJM -, e abrange todas as ações (e.g. workshops, sessões, concertos) que são desenvolvidas ao longo do ano letivo. Essencialmente, e tomando a criação musical como elemento catalisador, a GPS traz para terreno comum a música, a imagem, o corpo, a voz e o texto. Na GPS, fará parte do modo de trabalho tomar riscos que favoreçam um “processo de criação” rico e inclusivo, acreditando que é nesse processo que cada um encontrará uma forma de se encontrar no projeto e, de forma genérica, criar novos laços com a Arte e particularmente com a Música. Por fim, em quê que culminará a GPS? Irá resultar numa série de concertos ao longo do ano letivo – “Prelúdio”, “2,5,1”, “Interlúdio”, “Grande Pesca Sonora, “Poslúdio” - que integrem comunidades escolares, associações e a Orquestra Jazz de Matosinhos (OJM). Trata-se, sobretudo, de performances concebidas colaborativamente onde todos possam encontrar o seu espaço e a sua “voz”.

Grande Pesca Sonora: Música com plantas, plantas com Música

O mote para o trabalho criativo a desenvolver durante este ano letivo centra-se nas relações físicas e sociais, possíveis e imaginadas, da Música com as plantas.

A escolha deste tema, por um lado, tem a ver com o interesse cada vez mais aguçado pelas hortas urbanas e plantas caseiras, como que uma reação ao progressivo desaparecimento de espaços naturais em meios urbanos. Por outro lado, tem a ver com o afastamento progressivo do quotidiano das cidades e das crianças de aspetos básicos, primitivos e naturais que sustentam a nossa existência.Tudo isto levou-nos a pensar de que forma poderiam as plantas inspirar a próxima Grande Pesca Sonora. 

Algumas ideias avulsas sobre música e plantas remetem para coisas que têm a ver com forma (e.g. forma musical vs forma das folhas), naturalidade (e.g. improvisação musical), ritmo (e.g. biorritmos vs ritmos musicais, sonorização de dados biométricos), contaminação (e.g. vegetação vs ensemble, semelhanças vs diferenças) e cuidado (e.g. refinar, repensar, cuidar de mim e dos outros). Além disso, o facto de uma planta ser algo delicado (i.e. requer atenção e dedicação) levou-nos a considerar trabalho com e sobre plantas como uma forma de contrabalançar o ímpeto que observamos em crianças e jovens de manusearem objetos de forma “bruta” (e.g. percutir objetos com intensidade, brincadeiras nos recreios, desporto). Por outro lado, as plantas podem ser um meio para que a criação musical seja mais plural do que singular, ou seja, que fomentem o desenvolvimento de recursos sonoros que possam ser tocados por múltiplas pessoas (e.g. várias pessoas tocando as folhas de uma planta). Neste sentido, sabendo que os instrumentos musicais geralmente são inertes, o desenvolvimento de instrumentos musicais a partir e inspirados por plantas, podem contribuir para a criação de instrumentos que sejam vivos e que, idealmente, contribuam com a sua “voz” (e.g. necessidades fisiológicas) para a criação da GPS.

No fundo, vemos as plantas como um veículo que congrega pessoas, música, pensamentos e criações.  Revemos nas ideias, conceitos, metáforas e aspetos reais da flora um meio de reunir a escrita, o movimento, a imagem, a composição musical e a performance.

Concertos

Esta edição da Grande Pesca Sonora inclui vários concertos que acontecem em diferentes alturas do ano letivo: o Prelúdio: Afinação das Sementes (dezembro), o “2,5,1” (concertos itinerantes em fevereiro e março), o  Interlúdio: tributo a sir David Attenborough (março), a Grande Pesca Sonora: Música com plantas, plantas com Música (maio) e o Poslúdio: Cant(a)eiro (junho).

Como se faz?

A Grande Pesca Sonora inclui o trabalho regular e articulado de pessoas ligadas à música, uma pessoa ligada ao trabalho de vídeo/imagem e outra pessoa ligada à escrita criativa/corpo. Numa fase posterior, inclui o ensaio e o concerto com uma orquestra de músicos profissionais. 

O trabalho é desenvolvido com um grupo fixo de alunos de música (e.g. três turmas), com um grupo fixo de alunos dedicados às artes visuais, com um grupo de pessoas fixo dedicada à literatura e ao trabalho com o corpo, existindo também a possibilidade de inclusão avulsa de pessoas e alunos interessados em participar.

O trabalho musical tem sido desenvolvido com turmas do ensino articulado de música, na Escola Secundária Augusto Gomes (ESAG); o trabalho visual tem sido desenvolvido com alunos da Scholé e uma turma do 12º ano da ESAG; finalmente, o trabalho de escrita criativa, voz e corpo, tem sido desenvolvido com o Lar Sant´Ana e um grupo de alunos da Escola Secundária Gonçalves Zarco (ESGZ).