Prelúdio Submarino_Escola Secundária Augusto Gomes, 2015

Grande Pesca Sonora 2016

A Grande Pesca Sonora (GPS) encarna o projeto educativo do LabJázzica - serviço educativo da OJM -, e abrange todas as ações (e.g. workshops, sessões, concertos) que são desenvolvidas ao longo do ano letivo. Essencialmente, e tomando a criação musical como elemento catalisador, a GPS traz para terreno comum a música, a imagem, o corpo, a voz e o texto. Na GPS, fará parte do modo de trabalho tomar riscos que favoreçam um “processo de criação” rico e inclusivo, acreditando que é nesse processo que cada um encontrará uma forma de se encontrar no projeto e, de forma genérica, criar novos laços com a Arte e particularmente com a Música. Por fim, em quê que culminará a GPS? Irá resultar numa série de concertos ao longo do ano letivo – “Prelúdio”, “2,5,1”, “Interlúdio”, “Grande Pesca Sonora, “Poslúdio” - que integrem comunidades escolares, associações e a Orquestra Jazz de Matosinhos (OJM). Trata-se, sobretudo, de performances concebidas colaborativamente onde todos possam encontrar o seu espaço e a sua “voz”.

Grande Pesca Sonora: Missão ao Fundo do Mar

Neste ano letivo, a Grande Pesca Sonora quer ir ao fundo do mar para buscar novas inspirações e assim reinventar-se. Ao “fundo do mar” tem a ver com duas ideias principais: 1) o universo criativo que o fundo do mar desperta vs o facto da maior parte do oceano ser escuro e portanto algo por descobrir 2) ir ao fundo do mar enquanto metáfora de ir ao fundo da questão, ou seja, desenvolver um trabalho minucioso a partir de poucos elementos, por contraste a uma abordagem onde se visite muitos “sítios” (e.g. muitos temas de música de cariz diferente). Em relação à primeira ideia imagina-se que elementos como sons do fundo do mar, equipamentos de mergulho, vídeos subaquáticos, espécies de peixes, imagens, barbatanas, ostras, tesouros, submarinos, histórias, teorias, enigmas, entre outros, sejam elementos inspiradores para catalisar um trabalho criativo inicial. O livro 20000 Léguas Submarinas, de Júlio Verne, será tomado como ponto de inspiração e elemento agregador de materiais musicais, visuais e literários. Porém, o imaginário/acervo de vídeos e imagens reais de Instituições como o Mbari (Monterey Bay Aquarium Research Institute) serão também abordadas. Em relação à segunda ideia, imagina-se que sejam ensaiados, transformados e recriados um ou dois temas populares do repertório do jazz tradicional. Isto quer dizer que a partir desses temas poderão ser gerados novos temas, texturas harmónicas ou, por exemplo, indicações soltas e livres. Esse trabalho deverá, porém, se harmonizar com uma outra faceta de trabalho que privilegie a criação livre sonora, visual e literária. 

Tomaremos como pontos de orientação duas obras por nos parecem pertinentes, interessantes e que poderiam ser o resultado de um processo como aquele usamos na Grande Pesca Sonora: A Sinfonia de Bério e as 20000 Léguas Submarinas. Vemos a Sinfonia de Bério como uma encarnação possível da Grande Pesca Sonora, naturalmente adaptada ao nosso trabalho e pessoas. A razão disso tem a ver com o facto da Sinfonia ser uma mescla de temas e citações e, por isso mesmo, vislumbra na Pesca Sonora uma música mesclada de temas e referências aos temas musicais trabalhados. Existem ainda na Sinfonia um conjunto de cantores que, para além de cantarem assumem também um papel de narrador, algo que nos interessa no contexto da Grande Pesca Sonora enquanto ”cantadores” de histórias. No que diz respeito ao universo visual e literário, imaginamos um trabalho realce o mundo “Júlio Verniano”.

Concertos

Esta edição da Grande Pesca Sonora inclui três concertos que acontecem em diferentes alturas do ano letivo: o Prelúdio Submarino (dezembro), o Interlúdio ao Galeão (março) e a Grande Pesca Sonora (maio).

Como se faz?

A Grande Pesca Sonora inclui o trabalho regular e articulado de duas pessoas ligadas à música, uma pessoa ligada ao trabalho de vídeo/imagem e outra pessoa ligada à escrita criativa. Numa fase posterior, inclui o ensaio e o concerto com uma orquestra de músicos profissionais. 

O trabalho é desenvolvido com um grupo fixo de alunos de música (e.g. duas turmas), com um grupo fixo de alunos dedicados às artes visuais, com um grupo de pessoas fixo dedicada à literatura, existindo também a possibilidade de inclusão avulsa de pessoas e alunos interessados em participar.

O trabalho musical tem sido desenvolvido com duas turmas do ensino articulado de música, na Escola Secundária Augusto Gomes (ESAG); o trabalho visual tem sido desenvolvido com a turma do 2º ano do Jardim-Escola João de Deus (J-EJD) e uma turma do 12º ano da ESAG; finalmente, o trabalho de escrita criativa tem sido desenvolvido com a Associação de Pescadores Aposentados de Matosinhos (APAM) e um grupo de alunos da Escola Secundária Gonçalves Zarco (ESGZ).