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Orquestra Jazz de Matosinhos & Dee Dee Bridgewater

A voz cantada: o instrumento mais antigo do jazz

“I don’t feel like I’m singing, I feel like I’m playing my horn” (Billie Holiday)


Pela primeira vez a Orquestra Jazz de Matosinhos atua como suporte de uma voz solista bastante extrovertida. Dee Dee Bridgewater, é um nome incontornável na história do jazz cantado. 

Radicada desde meados dos anos 80 em Paris e emprestando a sua voz não apenas à cena do jazz francês e europeu como a outro tipo de espetáculos inseridos na tradição do musical, do cabaret ou da canção de texto – também editados em discos que, de forma peculiar, dedicou à memória de Josephine Baker e outros grandes nomes da canção francesa ou às canções para o teatro de Kurt Weill –, a cantora norte-americana Dee Dee Bridgewater é ainda uma artista consciente da decisiva importância da herança africana no jazz, sublinhada no seu álbum “Red Earth” gravado no Mali e no qual presta a sua homenagem a cantoras e lutadoras pelos direitos da mulher em África. 

Dee Dee apresenta uma notória versatilidade nas suas atuações ao vivo, assumida quer pelo virtuosismo vocal de uma cantora de jazz pura quer o sensual à-vontade de uma entertainer, na interação com os músicos em palco ou na sua relação com o próprio público na plateia.

Neste concerto, a cantora regressa com renovado gosto à situação de performance vocal à frente de uma big band, precisamente o tipo de formação que, no início dos anos 70, enfrentou na sua primeira grande experiência de palco enquanto vocalista principal da orquestra de Thad Jones/Mel Lewis. 

Em termos vocais, Dee Dee Bridgewater é capaz de invocar (incorporando-os, à sua maneira, num estilo jazzístico próprio) sinais da frescura e do scat swingado de uma Ella Fitzgerald, ecos do calor e dramatismo de uma Sarah Vaughan e mesmo assomos da exigência e modernidade de uma Betty Carter, num repertório clássico que indo de “Shiny Stockings” ou “Cherokee" até “Oh Lady Be Good” ou “Cottontail”, passará ainda (entre outras) por “Polka Dots & Moonbeams”, “Undecided” ou “Let the Good Times Roll”, uma bela ocasião para que recordemos também, na interpretação da OJM, arranjos de autores de referência, como Frank Foster, Slide Hampton ou Cecil Bridgewater.